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Alvarinho, A Casta


As primeiras referências à casta Alvarinho surgem já em pleno século XIX, no Tratado da Agricultura dos Vinhos, pela mão do Visconde de Vilarinho de São Romão, que caracteriza assim esta uva: “Alvarinho: dá muito, a vinha bem e quer terrenos fortes”.

A partir de então, começa a ser cada vez mais recorrente menções e descrições desta mui nobre casta, assim como aos locais onde melhor se produzia (Cambeses, Mazedo e Moreira aparecem, várias vezes, como os locais onde se produzia o melhor vinho, durante o século XIX).

No início do século XX, aquando da definição das zonas vitivinícolas nacionais, surgem vários debates sobre o vinho branco de Monção e sua delimitação e regulamentação, à data muito desacreditado, pois, devido à sua fama, estavam a ser vendidos outros vinhos de menor qualidade como sendo Vinhos de Monção.

Na defesa do bom vinho de Monção surgem nomes como Conde de Azevedo, António Pinto da Mota, Adriano Augusto Pimenta, deputados da nação e naturais desta região que pretendiam ver reconhecida a qualidade deste vinho e salvaguardadas as suas características. Até que, em 1929, no Decreto nº 16684, é definida a Sub-região de Monção.

Por esta mesma altura, surgem os primeiros rótulos de Vinho Alvarinho associados a importantes Casas e Quintas da Região, como por exemplo o da Casa de Rodas.

Já na década de 30, surge uma nova marca que vem impulsionar, decididamente, a produção do vinho Alvarinho e sua comercialização, a Cêpa Velha.

É uma casta pouca produtiva, com cacho e bagos pequenos. Estes últimos com muitas grainhas. Com uma robustez e rusticidade que não a impedem de infeções por vírus e fungos.

Adapta-se muito bem a terrenos bem expostos ao sol e enxutos, com boa porosidade e drenagem, sendo mais frequente em terrenos derivados de depósitos fluviais.

O Alvarinho possui características morfológicas distintas das restantes castas nos seus principais órgãos:

Rebentação
Bastante pelo de cor branca e pequenas folhas carminadas

Folhagem jovem
Ligeiramente revoluta / revirada para a página inferior e com bastante pelo.

Folha adulta
Pequena, orbicular, inteira e revirada; com laterais abertas em V e pecíolo mais comprido com a nervura principal da folha e pilosidade em forma de cotão.

Cacho
Pequeno com cerca de 140 gr e asa bastante desenvolvida dando sensação de cacho duplo; pedúnculo comprido e de compacidade média.

Bago
Arredondado e ligeiramente achatado, que quando exposto ao sol adquire um tom rosado.

Varas
Secção transversal achatada, extensas e com entre-nós muito compridos.

 “Os bons apreciadores do chamado vinho Alvarinho (oriundo das ramadinhas plainas e assoalhadas, de forquilha, das cercanias de Monção), que o digam. Falar da pinga é relembrar o conduto e o presigo.”
Velho Minho, Sant'Anna Dionísio

Terroir

O Terroir é a alma de um vinho.

É a conjugação de fatores que permitem, a um vinho, ter a sua expressão, o seu carácter e individualidade. É uma área na qual o conhecimento coletivo das interações, entre o ambiente físico e biológico identificáveis e as práticas vitivinícolas desenvolvidas, conferem características distintivas aos seus vinhos.

São as raízes e as origens. O saber e o tempo.
Castas e solos moldados pelo génio humano, num determinado tempo e que se imortalizam num vinho único.
O Alvarinho é um vinho com Terroir, com alma e compreensão pela natureza.
É um acumular de saberes ancestrais, orientado para o futuro e em permanente mutação.
É arte e ciência, amor e clima. Génio, imaginação e engenho.
São palavras, luzes e conexões.
É a harmonia entre a natureza minhota e o saber cultural de quem, com carinho e amor, mas sempre com experiência e inovação, cria vinhos únicos num território único – Monção e Melgaço.

“Com um melancólico adeus àquela sobriedade desterrada, atravessei o Lima de Diogo Bernardes, olhei o Palácio da Brejoeira e, morto de sede, fui beber uma gota de alvarinho a Monção.” Miguel Torga, Portugal, 1986

A Vinha e o Vinho

A plantação começou por ser em pé-franco (enraizamento direto da estaca sem porta-enxerto). Mas, na segunda metade do século XIX, a vinha é atacada por pragas e doenças responsáveis pela diminuição da produção de vinho, e a partir de então, não só com o Alvarinho, mas em todas as castas, passou a fazer-se plantio por enxertia (muda com enxerto do ramo da “cultivar produtora” com gemas, em estaca de um porta-enxerto).

A casta Alvarinho tem um ciclo bastante curto. A rebentação ocorre no final do Março (normalmente na última semana deste mês) e a vindima em meados de Setembro.

O ciclo vegetativo inicia-se com o “choro” da videira, ou seja, com a perda de seiva através dos cortes da poda, feita durante o Inverno. Este fenómeno antecede o abrolhamento ou rebentação dos gomos, que acontece, normalmente, passadas 3 a 5 semanas. Depois do nascimento dos rebentos e das folhas, a videira apresenta os botões da flor. Nesta fase, as geadas são o pior inimigo da videira.

A floração dura cerca de dez dias e caracteriza-se pela dilatação da ráquis das inflorescências e pela abertura das flores. A fecundação ocorre quase ao mesmo tempo que a floração. Depois da fecundação, os bagos normais iniciam o processo de maturação.

Durante a maturação, os bagos crescem de tamanho e alteram a sua composição química. Numa primeira fase os bagos verdes, pequenos e duros, aumentam de tamanho e mudam de cor, adquirindo tonalidades douradas. Posteriormente, iniciam-se os processos de transformações químicas, nomeadamente o equilíbrio da acidez dos bagos.

O amadurecimento é a fase que antecede a vindima e permite que as uvas atinjam um grau de açúcar ideal para a produção de vinho. O tempo de amadurecimento varia de acordo com as condições climáticas, características da videira e intenções do produtor.

Com a diminuição da temperatura atmosférica e as geadas outonais, as folhas da videira começam a cair. A videira inicia o seu processo de repouso e só voltará à atividade no início da Primavera. Durante a fase de repouso, executa-se a poda.

“Se o rio Douro tem um vinho - usurpado, na sua designação, pela cidade do Porto -, o rio Minho também possui o seu vinho. É o Alvarinho, produzido na região de Monção. A sua raridade e os limites apertados da região onde é produzido fazem dele um dos vinhos mais valorizados e apreciados de Portugal”

Rios de Portugal, Maurício de Abreu e
José Manuel Fernandes

Território

Esta Terra chama-te...
para paisagens mágicas e sedutoras.
No ondulado do lugar, no verde do coração
Onde o rio nos dá o nome
E a fronteira nos une num Olá.
A fé sente-se em cada caminho cruzado,
No sagrado, no profano e ritual.
As muralhas são a nossa força, 
As torres, de uma história ancestral.
Surpreende-te com sabores únicos,
Onde a imaginação se serve num copo.
É ancestral e simples como o Tempo,
Onde cada pedra, cada olhar e sentir
revelam a alma da paisagem
e nos apaixonamos pelo futuro.
Experimenta as vastas serranias
Onde se ouve o ritmo da terra,
A alma, a alegria e a luz da festa,
E os sons do Minho simples e distinto.
Levamos esta Terra dentro de nós,
Necessitamos de voltar a ela,
De senti-la, saboreá-la e vivê-la.
Monção espera-te.