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Nos Trilhos da Memória


O consumo de vinho na Sub-região de Monção e Melgaço é ancestral e está bem documentado, pela presença de ânforas vinárias nos vários povoados proto-históricos que se conhecem. Nesta época, o vinho era produzido em outras paragens e trazido pelos povos mediterrânicos, sendo muito apreciado por autóctones.

Aqui, existem alguns lagares escavados na rocha, estruturas bastante rudimentares que atestam a ancestralidade da prática vinícola, que se enraíza na região durante o período romano e afirma durante a Idade Média.

É nesta época que surgem vários documentos, entre os quais o Foral de Monção, que referem a produção de vinho e tentam regulamentar este produto bem conhecido e apreciado.

No século XVII, da feitoria inglesa em Viana do Castelo partiam, para o mercado inglês, os famosos Vinhos de Viana, os palhetes provenientes da Ribeira Minho, que eram muito apreciados e rivais dos famosos vinhos de Bordéus.

Com a criação da Companhia Geral da Agricultura dos Vinhos do Alto Douro, já em pleno século XVIII, os vinhos entram em declínio, mas continuam a ter grande relevância económica, necessitando de legislação autárquica própria, que o salvaguardava em relação aos demais.

Até finais do século XVIII, não há grandes referências a castas produzidas, fazendo-se sempre menção aos Vinhos de Monção, como vinho maduro ou palhete. Por esta altura, começam a aparecer referências a vinho branco e a algumas quintas produtoras, que ainda hoje existem, como por exemplo a Quinta da Pedra, a Quinta da Gandra, a Quinta de Serrade ou a Quinta da Boavista.

Com a demarcação das regiões produtoras de vinho e a sua dinamização, os vinhos de Monção, inseridos na Região dos Vinhos Verdes, ganham novo valor, desmistificam-se os rumores dos maus vinhos e aposta-se na cultura dos vinhos verdes brancos.

Origens do Alvarinho

Como se passou dos maduros de Monção, de cor ruburescente e tinta, afamados e procurados, para o alvo e bem conhecido Alvarinho?

Segundo Huetz de Lemps, a casta de Alvarinho é uma das mais antigas do Noroeste Peninsular, tendo sido identificadas, na Galiza, videiras de Alvarinho com mais de 300 anos.

Nas Memórias Paroquiais de 1758, no capítulo referente à Paróquia de Longos Vales, refere-se à plantação de vinho branco em cepa, sem nunca haver menção ao nome da, ou das, castas aqui produzidas.

Em 1780, Constantino Botelho de Lacerda Lobo, na sua obra “Viticultura Moderna em Portugal”, refere cerca de 20 “qualidades” diferentes de uva branca para “fazer vinho”, assim como, o cuidado que já haveria na escolha e tratamento dessas castas que, embora em menor quantidade (relativamente às castas tintas), já teriam um papel importante, dada a sua excelente qualidade.

Em Alvaredo, antiga paróquia de Valadares, pertencente à Vigararia do Mosteiro de Longos Vales, produzia-se, no século XVIII, logo a seguir ao milho, o vinho a que chamavam Alvarilhão. E em Cambeses produzir-se-ia o melhor vinho da Província.

A qualidade e a procura dos vinhos desta região levaram alguns “homens da terra” a pedir a criação de uma Sociedade Pública de Agricultura da Província do Minho. A recusa deste pedido, por parte do Estado, leva a que estas pessoas se tenham empenhado, ainda mais, na procura de castas alternativas às produzidas na região do Douro. Castas estas que, se evidenciassem pela qualidade e diferença, valorizando uma região e um povo que, desde sempre, se dedicou a esta atividade. 

As Primeiras Referências

As primeiras referências à casta Alvarinho surgem já em pleno século XIX, no Tratado da Agricultura dos Vinhos, pela mão do Visconde de Vilarinho de São Romão, que caracteriza assim esta uva: “Alvarinho: dá muito, avinha bem e quer terrenos fortes”.

A partir de então, começa a ser cada vez mais recorrente menções e descrições desta mui nobre casta, assim como aos locais onde melhor se produzia (Cambeses, Mazedo e Moreira aparecem, várias vezes, como os locais onde se produzia o melhor vinho, durante o século XIX).

No início do século XX, aquando da definição das zonas vitivinícolas nacionais, surgem vários debates sobre o vinho branco de Monção e sua delimitação e regulamentação, à data muito desacreditado, pois, devido à sua fama, estavam a ser vendidos outros vinhos de menor qualidade como sendo Vinhos de Monção.

Na defesa do bom vinho de Monção surgem nomes como Conde de Azevedo, António Pinto da Mota, Adriano Augusto Pimenta, deputados da nação e naturais desta região que pretendiam ver reconhecida a qualidade deste vinho e salvaguardadas as suas características. Até que, em 1929, no Decreto nº 16684, é definida a Sub-região de Monção.

Por esta mesma altura, surgem os primeiros rótulos de Vinho Alvarinho associados a importantes Casas e Quintas da Região, como por exemplo o da Casa de Rodas.

Já na década de 30, surge uma nova marca que vem impulsionar, decididamente, a produção do vinho Alvarinho e sua comercialização, a Cêpa Velha.